sábado, 4 de abril de 2020

MP 936: trabalhador com contrato suspenso deve contribuir sozinho ao INSS

Devido à pandemia do coronavírus, o governo brasileiro autorizou, por meio da Medida Provisória 936/20, a suspensão de contratos de trabalho por até 60 dias. Nesse caso, sem o pagamento do salário, a empresa fica desobrigada durante esse período a recolher para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), e o tempo deixa de valer para a aposentadoria.

A fim de não afetar a contagem, o trabalhador deve fazer a contribuição para o INSS sozinho. O advogado previdenciário Sinésio Cyrino, sócio do escritório Pessoa & Pessoa, explica que a melhor maneira é contribuir como segurado facultativo, cuja única condição é ser maior de 16 anos: “Essa é a mesma modalidade na qual os estudantes e as donas de casa contribuem. Ao contrário dos autônomos, não é preciso comprovar o exercício de uma tarefa por conta própria. Basta usar o próprio CPF para recolher sob o código 1406.”

É possível escolher contribuir com base no salário mínimo ou sobre qualquer outro valor até o teto do INSS, de R$ 6101,06. A alíquota para o cálculo é de 20%, porém há exceções.

“Existe um programa de inclusão previdenciária que permite pessoas de baixa renda pagarem alíquotas correspondentes a 5% ou 11% do salário mínimo. Nesses casos, a contribuição facultativa é feita sob os códigos 1830 e 1473, respectivamente. No entanto, nessa modalidade, o beneficiário só poderá se aposentar por idade — esclarece Cyrino.”

Valor da contribuição

Na modalidade de empregado com carteira assinada, o trabalhador contribui da seguinte forma:

  • Salário de contribuição até 1.045,00 — 7,5%
  • Salário de contribuição de 1.045,01 até 2.089,60 — 9%
  • Salário de contribuição de 2.089,61 até 3.134,40 — 12%
  • Salário de contribuição de 3.134,41 até 6.101,06 — 14%

Já como segurados individuais e facultativos, os interessados passarão a contribuir nas seguintes alíquotas:

  • Salário de contribuição de R$ 1.045,00, alíquota de 5%* — R$ 52,25
  • Salário de contribuição de R$ 1.045,00, alíquota de 11%* — R$ 114,95
  • Salário de contribuição de R$ 1.045,00 até R$ 6.101,06, alíquota de 20% — de R$ 209,00 a R$ 1.220,21

*Para contribuição de 5% ou 11% do salário mínimo, o segurado fica impedido de se aposentar por tempo de contribuição. Dessa forma, só poderá se aposentar por idade.

Como fazer a contribuição facultativa?

O interessado deve preencher uma Guia de Previdência Social (GPS), que pode ser gerada através do site da Receita Federal ou comprar um carnê em papelaria e preencher manualmente. O código para recolhimento de Contribuinte Facultativo Mensal é 1406;

No site, o contribuinte deve escolher uma das opções Contribuintes Filiados antes de 29/11/1999 e Contribuintes Filiados a partir de 29/11/1999. Ao escolher, deverá inserir o nº do seu PIS e seguir preenchendo as demais solicitações. Depois só é preciso fazer o pagamento.

Como vai funcionar a suspensão?

A advogada trabalhista Ludimila Bravin, do escritório Bravin Advogados, explica que a suspensão do contrato de trabalho deverá ser negociada entre o empregador e o funcionário por meio de um acordo individual, sem a participação dos sindicatos, nos casos de trabalhadores com remuneração de até três salários mínimos (R$ 3.135) ou com salário equivalente a duas vezes o teto do INSS (R$ 12.202,12). Já os contratos relativos a salários entre R$ 3.135 e R$ 12.202,12 só podem ser negociados por meio de acordo coletivo.

“Durante esse período de suspensão do contrato, o trabalhador poderá receber a ajuda emergencial, sem desconto do INSS. Além disso, os empregadores não poderão demitir, a menos que paguem uma indenização estipulada na própria MP.”

Suspensão não afeta direito previdenciário

Para ter direito a benefícios previdenciários, por exemplo o auxílio doença, a condição é ter contribuído por no mínimo 12 meses com o INSS. Dessa forma, mesmo que o trabalhador seja demitido ou tenha o contrato suspenso pela empresa por causa do coronavírus, pode ter acesso ao pagamento. Cyrino explica que pessoas com até dez anos de contribuição mantêm a qualidade de segurado por 12 meses. Já as que contribuem por mais de dez anos, têm o “período de graça” válido por 24 meses, o dobro de tempo.

“Se a pessoa tiver depressão, por exemplo, marcar perícia e for constatado que ela está incapacitada de procurar outro emprego, poderá receber o auxílio.”

Mais uma hipótese é se a pessoa for demitida e ainda estiver gozando do seguro-desemprego ao dar entrada no benefício. Com esse requisito, ela poderá manter a qualidade de segurado por mais 12 meses, alcançando até, em determinados casos, 36 meses de “período de graça”.

Redução no salário vai afetar aposentadorias

A contribuição para o INSS também será afetada no caso de empregados que tiverem a jornada reduzida e, consequentemente, o salário também.

“A contribuição previdenciária efetuada pelo empregador passará a ser calculada sob o salário que receber. Isto gerará um recolhimento inferior ao que comumente é realizado, o que irá interferir no valor da futura aposentadoria”, explica a advogada Ludimila Bravin.

De acordo com a Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, caso o trabalhador passe a receber um valor inferior ao mínimo, deverá complementar a contribuição para que o tempo seja reconhecido para aposentadoria. Caso o salário se mantenha acima do mínimo, não poderá complementar, pois, em regra, não é permitido que o segurado obrigatório contribua ao mesmo tempo como facultativo.

O advogado Sinésio Cyrino sugere que, se tiver alguma renda extra durante o período, o contribuinte faça uma contribuição paralela, como autônomo. No entanto, é preciso ter provas do exercício da atividade:

“Tenho uma vizinha que teve a jornada reduzida e passou a fazer máscaras para vender. Ela pode, muito bem, fazer a contribuição complementar como contribuinte individual ou como microempreendedora individual. O contrato da máquina de cartão, que ela usa para vender os produtos, já seria uma prova.”

O professor de Direito Previdenciário da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Fábio Souza, aconselha fazer a complementação da contribuição ainda neste ano:

“Aqueles que tiverem condições financeiras para complementar a contribuição ainda em 2020, devem fazê-lo, mantendo íntegra a cobertura previdenciária. Sendo inviável, providencie o agrupamento das contribuições, de modo a aproveitar, ao menos parcialmente, o tempo de contribuição.”

Caso o trabalhador volte a atuar na empresa de forma integral, não precisará fazer nenhum procedimento. Deve apenas deixar de pagar o carnê como autônomo.

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Confira o prêmio da Mega-Sena que será sorteado neste sábado

O sorteio da Mega-Sena, concurso 2.249, será realizado neste sábado, 04. Quem acertar as seis dezenas receberá 1,8 milhão de reais.

As informações são do site da Caixa Econômica Federal. O valor da aposta mínima é de 4,50 reais. As apostas poderão ser feitas em qualquer lotérica do país ou pela internet até as 19 horas.

A Caixa informa que continua a realizar normalmente os sorteios da Mega-Sena, Lotofácil, Quina, entre outros. Apenas os sorteios da Loteria Federal e da Loteca foram suspensos, devido a “restrições adotadas em todo o país por conta da pandemia do novo coronavírus”.

Outra alteração foi na data do sorteio da Dupla de Páscoa, que passou do dia 11 para o dia 25 de abril.

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Taxas de títulos públicos do Tesouro Direto acentuam o movimento de alta na tarde desta sexta-feira

SÃO PAULO – Em meio ao aumento de aversão a risco nos mercados mundiais, com dados econômicos fracos nos Estados Unidos e na Europa diante da pandemia de coronavírus, as taxas dos títulos públicos negociados via Tesouro Direto apresentam alta nesta sexta-feira (3), com um movimento acentuado nesta tarde.

Entre os títulos com retorno indexado à inflação, o juro do papel com vencimento em 2026 subia de 3,73%, ontem, para 3,85% ao ano, na tarde desta sexta-feira. Os papéis com prazos em 2035 e 2045, por sua vez, pagavam 4,71% ao ano, ante 4,61% a.a. na quinta-feira (2).

Com relação aos papéis prefixados, o título com vencimento em 2026 oferecia um prêmio anual de 7,69%, ante 7,39% a.a. anteriormente, enquanto o retorno do Tesouro Prefixado com juros semestrais e prazo em 2031 avançava de 8,01% para 8,36% ao ano.

Confira os preços e as taxas dos títulos públicos ofertados nesta sexta-feira (3):

Fonte: Tesouro Direto

Noticiário

Após número recorde de pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos na véspera, mercados repercutiram hoje o relatório de emprego no país, conhecido como “payroll“, referente a março, que veio pior do que o esperado.

No último mês, a economia americana perdeu 701 mil postos de trabalho, muito acima das expectativas feitas pelo levantamento da Bloomberg, que estimava a destruição de 100 mil vagas no período. Este foi o primeiro declínio de criação de vagas desde 2010.

A taxa de desemprego na maior economia do mundo subiu para 4,4%, ante dado anterior de 3,5%. A expectativa no consenso Bloomberg era de que o desemprego subisse a 3,8%.

Leia também:
• Com pressão generalizada sobre os preços, títulos públicos chegam a cair 24% em março

Ainda no exterior, dados fracos da zona do euro reforçaram o efeito recessivo do coronavírus sobre as economias. O índice dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) despencou de 51,6 pontos, em fevereiro, para 29,7 pontos, em março. Os dados indicaram a maior contração da atividade econômica em 20 anos na Itália, Espanha e França, justamente os três países mais atingidos pela pandemia no continente.

Hoje, o rali dos preços do petróleo continuou, em meio à expectativa por um acordo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e Aliados (Opep+), após a Arábia Saudita convocar uma reunião para discutir a crise no mercado.

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As ações que pagam dividendos mais indicadas para abril

As ações da Telefônica Vivo (VIVT4) lideram as recomendações de corretoras para  abril entre as boas pagadoras de dividendos. Os papéis da companhia foram indicados por 8 das 16 carteiras consultadas pelo site EXAME.

Segundo os analistas, em meio ao cenário atual, a companhia está bem posicionada para se adaptar às novas dinâmicas do setor. Eles destacam também a boa capacidade de geração de fluxo de caixa que permite realizar os necessários investimentos em fibra ótica e 4 /4.5G, que serão os principais geradores de receita da empresa no futuro.

Por fim, a empresa deve se beneficiar com a flexibilização da Lei de Teles e os ganhos de eficiência gerados pelos investimentos em tecnologia, com isso, a Telefônica que é excelente pagadora de dividendos, alcançará patamares ainda melhores no futuro.

Outro destaque entre as ações boas pagadoras de dividendos está a Taesa (TAEE11) mencionada em 7 das carteiras analisadas. Os analistas seguem otimistas acreditando que a companhia oferece maior previsibilidade em seus resultados, considerando sua atuação no mercado de transmissão de energia elétrica no Brasil (com receitas baseadas em contratos pré-estabelecidos). Além das units da companhia se beneficiarem dos juros mais baixos. Além disso, a Taesa pode se beneficiar de investimentos no setor, podendo entrar em novos projetos ou aproveitar oportunidades de fusões e aquisições para acelerar seu crescimento.

Ação Recomendações
Telefônica Vivo (VIVT4) 8
Taesa (TAEE11) 7
Itaú Unibanco (ITUB4) 6
Engie Brasil (EGIE3) 5
Banco do Brasil (BBSA3) 5
Transmissão Paulista (TRPL4) 5
BB Seguridade (BBSE3) 4
Itaúsa (ITSA4) 4
Sanepar (SAPR11) 3
B3 ( B3SA3) 3
Sanepar (SAPR11) 3
Bradesco (BBDC4) 3
CPFL (CPFE3) 3
Cyrela (CYRE3) 2
EDP Energia (ENBR3) 2
AES Tiete (TIET11) 2
Vale (VALE3) 2
Hypera Pharma (HYPE3) 1
Tenda (TEND3) 1
TIM (TIMP3) 1
Neoenergia (NEOE3) 1
IRB Brasil (IRBR3) 1
Petrobras Distribuidora (BRDT3) 1
Cemig (CMIG4) 1
Porto Seguro (PSSA3) 1
Odontoprev (ODPV3) 1
Alupar (ALUP11) 1
Tupy (TUPY3) 1
Copel (CPLE6) 1
Sabesp (SBSP3) 1

 

Ativa

Desempenho em março: -30,45%
Ações incluídas: Telefônica Vivo e BB Seguridade.
Ações retiradas: Iguatemi e Cyrela.

Ação Peso, em %
Itaú Unibanco (ITUB4) 20
Hypera Pharma (HYPE3) 20
Engie Brasil (EGIE3) 20
Telefônica Vivo (VIVT4) 20
BB Seguridade (BBSE3) 20

Ágora

Desempenho em março: -25,7%
Ações incluídas: Itaú (ITUB4)
Ações retiradas: Energisa (ENGI11).

Ação Peso, em %
Itaú Unibanco (ITUB4) 20
Taesa (TAEE11) 20
Tenda (TEND3) 20
TIM (TIMP3) 20
Sanepar (SAPR11) 20

Elite Investimentos

Desempenho em março: -19,52%
Não houve alteração na carteira.

Ação Peso, em %
BB Seguridade (BBSE3) 20
Itaúsa (ITSA4) 20
Itaú Unibanco (ITUB4) 20
Taesa (TAEE11) 20
Telefônica Vivo (VIVT4) 20

Guide Investimentos

Desempenho em março: -50,34%
Ações excluídas: Itaúsa e BR Distribuidora.
Ações incluídas: Cyrela e IRB Brasil.

Ação Peso, em %
Neoenergia (NEOE3) 20
B3 ( B3SA3) 20
Cyrela (CYRE3) 20
IRB Brasil (IRBR3) 20
Sanepar (SAPR11) 20

Genial

Desempenho em março: -30,74%
Ações incluídas: Bradesco, Banco do Brasil e Cyrela.
Ações retiradas: Wiz, Br Distribuidora e Banrisul.

Ação Peso, em %
Bradesco (BBDC4) 20
Banco do Brasil (BBSA3) 20
Cyrela (CYRE3) 20
BB Seguridade (BBSE3) 20
Itaú Unibanco (ITUB4) 20

Modalmais

Desempenho em março: -25,7%
Não houve alteração na carteira.

Ação Peso, em %
Itaúsa (ITSA4) 20
Banco do Brasil (BBASE3) 20
Taesa (TAEE11) 20
Petrobras Distribuidora (BRDT3) 20
Telefônica Vivo (VIVT4) 2020

Mycap

Desempenho em março: -22,81%
Não houve alteração na carteira.

Ação Peso, em %
Itaú Unibanco (ITUB4) 20
Cemig (CMIG4) 20
B3 (B3SA3) 20
EDP Energia (ENBR3) 20
Telefônica Vivo (VIVT4) 20

Necton

Desempenho em março: -24,74%
Não houve alteração na carteira.

Ação Peso, em %
Banco do Brasil (BBAS3) 20
CPFL (CPFE3) 20
EDP Energia (ENBR3) 20
Porto Seguro (PSSA3) 20
Odontoprev (ODPV3) 20

Nova Futura

Desempenho em março: -15,09%
Não houve alteração na carteira.

Ação Peso, em %
BB Seguridade (BBSE3) 20
Engie (EGIE3) 20
Taesa (TAEE11) 20
Transmissão Paulista (TRPL4) 20
Telefônica Vivo (VIVT4) 20

Planner

Desempenho em fevereiro: -28,8%.
Ações incluídas: Alupar e Telefonica Vivo.
Ações retiradas: Arezzo e Banrisul.

Ação Peso, em %
AES Tiete (TIET11) 20
Alupar (ALUP11) 20
Telefônica Vivo (VIVT4) 20
Engie (EGIE3) 20
Tupy (TUPY3) 20

Quantitas

Desempenho em março: -28,78%.
Ações incluídas: Taesa e Itaú Unibanco.
Ações retiradas: Eletrobras e Embraer.

Ação Peso, em %
Banco do Brasil (BBAS3) 20
CPFL Energia (CPFE3) 20
Taesa (TAEE11) 20
Itaú Unibanco (ITUB4) 20
Vale (VALE3) 20

Rico

Desempenho em março: -28,79%.
Ações incluídas: Engie e Vale.
Ações retiradas: BR Distribuidora e MRV.

Ação Peso, em %
Engie (EGIE3) 20
Transmissão Paulista (TRPL4) 20
Copel (CPLE6) 20
Itaúsa (ITSA4) 20
Vale (VALE3) 20

Santander

Desempenho em março: -33,96%
Ação incluída: Engie.
Ação excluída: IRB Brasil.

Ação Peso, em %
BR Distribuidora (BRDT3) 20
Engie (EGIE3) 20
CPFL Energia (CPFE3) 20
Itaúsa (ITSA4) 20
Telefônica Vivo (VIVT4) 20

Terra

Desempenho em março: -18,60%
Ação incluída: AES Tiete e Engie.
Ação retirada: Cesp e Cteep.

Ação Peso, em %
AES Tietê (TIET11) 20
Bradesco (BBDC4) 20
Cesp (CESP6) 20
Transmissão Paulista (TRPL4) 20
Telefônica Vivo (VIVT4) 20

Toro

Desempenho em março:- 23,15%
Ação incluída: Transmissão Paulista.
Ação retirada: Suzano.

Ação Peso, em %
B3 (B3SA3) 20
Bradesco (BBDC4) 20
Sabesp (SBSP3) 20
Transmissão Paulista (TRPL4) 20
Taesa (TAEE11) 20

XP Investimentos

Desempenho em março: -22,1%.
Não houve alteração na carteira.

Ação Peso, em %
AES Tietê (TIET11) 20
Banco do Brasil (BBAS3) 20
Transmissão Paulista (TRPL4) 20
Sanepar (SAPR11) 20
Taesa (TAEE11) 20

 

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sexta-feira, 3 de abril de 2020

Gestores apostam em ações da Vale para navegar em meio ao cenário turbulento

(Bloomberg) — Investidores têm aumentado suas posições em Vale (VALE3), apostando na mineradora como uma das principais oportunidades em meio à sangria na bolsa brasileira.

Em março, as ações da Vale despencaram para o menor nível em três anos diante da disrupção nas cadeias de produção globais e dos cortes das estimativas de crescimento provocados pela pandemia de coronavírus. O papel subiu mais de 20% na última semana, mas ainda é negociado no nível mais baixo desde 2019, após o rompimento da barragem de Brumadinho, que matou 270 pessoas.

“A Vale é uma oportunidade como as que acontecem a cada 10, 15 anos”, disse Paolo Di Sora, diretor de investimentos da RPS Capital, durante videoconferência realizada pelo Banco BTG Pactual.

Uma das razões por trás do otimismo é o fato de a mineradora se beneficiar da alta do dólar em relação ao real, pois a maior parte da receita da empresa é atrelada à moeda estrangeira. O real acumula baixa superior a 23% neste ano, um dos piores desempenhos no mundo. Di Sora disse que o valuation da ação chegou a implicar dólar em cerca de R$ 3,50, muito abaixo do câmbio atual de R$ 5,26.

A Adam Capital também está entre os otimistas. De acordo com Márcio Appel, que fundou a gestora de ativos em 2016 com André Salgado, a ação da Vale parece atraente mesmo em cenários adversos para os preços do minério de ferro.

“Se eu tivesse que escolher uma ação brasileira que está particularmente barata, seria a Vale”, disse Appel em videoconferência realizada na terça-feira pelo Itaú Unibanco.

De acordo com o Goldman Sachs, que elevou a recomendação para o ADR da Vale para equivalente à compra, o preço atual da ação não implica crescimento de volume e assume preços de minério de ferro a US$ 65 a tonelada por um longo período, o que o banco considera improvável. O minério de ferro acumula baixa de 11% neste ano, negociado em cerca de US$ 80 a tonelada, uma queda menos drástica do que a vista em outras commodities em meio a expectativas de aumento dos estímulos na China.

Caio Ribeiro, do Credit Suisse, também avalia o desconto atual como exagerado, especialmente considerando “fortes perspectivas de geração de caixa”, segundo relatório.

No balanço do quarto trimestre, a Vale disse que a geração de caixa permitiu reduzir a dívida líquida para cerca de US$ 4,9 bilhões, o menor nível desde 2008. A empresa também acessou US$ 5 bilhões em linhas de crédito para reforçar o caixa em meio à recente turbulência.

“Hoje a nossa principal métrica é se uma determinada empresa é capaz de sobreviver a cenários de estresse”, disse Felipe Campos, sócio-fundador da Navi Capital, em entrevista. “A Vale tem caixa sólido, custos menores e certamente entra nessa lista.”

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Como o mercado de crédito privado tem se comportado na crise e onde estão as melhores oportunidades? A JGP responde

SÃO PAULO – Ainda que a renda variável esteja nos holofotes dos investidores nesta crise, em meio a fortes movimentos vendedores nas bolsas de valores mundiais, o mercado de renda fixa, via crédito privado, também tem sofrido com o aumento do estresse financeiro.

A extensão dos problemas, contudo, pode ser diferente, assim como o olhar do investidor precisa ser outro. Quem explica melhor as particularidades do segmento é Alexandre Muller, sócio responsável pela equipe de gestão dos fundos de crédito da JGP.

Em entrevista ao vivo ao InfoMoney nesta quarta-feira (01), Muller apontou onde estão as principais preocupações no momento, abordou o comportamento de grandes empresas e bancos nesta crise, falou sobre as medidas implementadas pelo governo que possam surtir efeito no mercado de crédito e contou a estratégia da JGP neste contexto de maior estresse, provocado pela epidemia do coronavírus.

Confira a seguir alguns dos principais trechos da conversa. A entrevista completa está disponível no vídeo acima.

Como o mercado de crédito privado tem se comportado desde que a crise começou?

Esse é um mercado importante de acompanhar neste momento, até para entender o desdobramento que pode ter em outros segmentos. O mercado de crédito emite sinais importantes para todo o resto da economia. Esta é a primeira crise que estamos vivendo com um mercado com maior tamanho.

Em 30 dias, tivemos uma queda do Ibovespa de 32%, o Cembi, índice de bonds de crédito negociado lá fora, teve uma queda de mais ou menos 17%, e o Idex [índice de debêntures calculado pela JGP] cai cerca de 7%.

Crédito, assim como outras classes de ativo, tem sensibilidade, mas é normal que a sensibilidade seja menor que de outras classes, como ações, porque títulos de dívida têm prioridade de acesso sobre o fluxo de caixa das empresas.

Os fundamentos continuam sólidos no mercado de maneira geral?

É preciso dividir o tipo de crédito sobre o qual estamos falando. A JGP atua em particular nas grandes empresas do Brasil, como Lojas Americanas, Cemig, Sabesp. Claro que existe um movimento de preço no mercado de crédito, mas, do ponto de vista de fundamento para crédito de grandes empresas, esse é um dos setores mais protegidos hoje, se comparado com empresas mais high yield ou até Bolsa.

Falando em grandes empresas, eu espero que o impacto de quebra de covenants ou eventuais renegociações de dívida seja pequeno.

Agora se descemos um degrau na cadeia de crédito, em fundos mais high yield ou empresas de médio porte, [a avaliação] é caso a caso. Mas, conceitualmente, deve ter mais sensibilidade.

O investidor deve ser mais seletivo em crédito neste momento?

A primeira coisa é entender o que está se passando em termos de fundamento, o mandato de cada fundo. Acho que a ideia de que grandes empresas do Brasil tendem a sentir menos é conceitual. Temos até observado ao longo da última semana anúncios de novas operações de dívidas entre as empresas grandes e os bancos. O problema são as empresas médias.

A segunda pergunta é o que está acontecendo com o preço dos títulos de crédito, com as cotas dos fundos. Será que é uma boa oportunidade olhar esses títulos e fundos neste momento? Existe algo muito especifico acontecendo. Desde que a crise se aprofundou, o governo e o Banco Central vêm anunciando uma série de medidas orientadas para destravar o mercado de crédito.

Entre essas medidas, na segunda-feira da semana passada, foi anunciado um hiper pacote de medidas pelo Banco Central que poderia liberar R$ 1,2 trilhão de liquidez, de dinheiro, para que os bancos concedam novos empréstimos, destravando toda a cadeia.

Uma das medidas é orientada para o mercado de capitais, para as debêntures negociadas no dia a dia, e acaba fazendo preço nos fundos. É um programa no valor de R$ 91 bilhões para que o Banco Central dê empréstimos para os bancos recomprarem esses títulos no mercado secundário. Isso é uma maneira de garantir o funding do banco para que ele possa fazer essa operação.

Esse programa entra em vigor dia 6 de abril, então existe um rito burocrático em grande parte das medidas que está atrasando pontualmente o início, mas as medidas vão entrar e a tendência é que elas façam diferença nos spreads de crédito e nos preços dos títulos.

Na sexta-feira passada veio o principal dos programas. Uma PEC, que permite ao Banco Central comprar diretamente ativos de crédito privado para seu balanço. Essa é uma medida muito mais extrema, algo que vimos nos Estados Unidos, na Europa e até em outros países, como Colômbia.

E é uma medida que pode fazer uma diferença muito maior, porque, por mais que o BC jogue toda essa liquidez no mercado bancário, os bancos sempre têm a prerrogativa de não fazer nada, de sentar em cima do dinheiro. Então essa medida provavelmente vai fazer com que o BC tenha flexibilidade para atuar comprando títulos de crédito de grandes empresas.

A partir do momento que ele faz isso, altera a dinâmica de spreads para esse segmento da cadeia, empurra os bancos para terem que usarem o balanço em empresas de pequeno e médio porte, começa a oxigenar a liquidez, a destravar o mercado de crédito.

É importante que o investidor compreenda o que está sendo feito pela autoridade monetária e, se ele acreditar que ela vai ser bem-sucedida no destravamento desse mercado de crédito, e isso vale para empresa grande, média e pequena, pensar em crédito como um investimento neste momento pode ser uma boa ideia.

Você enxerga perspectivas de retomada do mercado primário?

Estamos vendo o mercado primário ativo principalmente para grandes empresas, captando dívidas diretamente com os bancos, de um ou dois anos em geral. Vimos anúncios públicos de captação da Iochpe-Maxion, do laboratório Fleury, da BRF, então estamos vendo que as empresas estão fazendo captações de emergência para reforçar o caixa neste momento.

Como os bancos trabalharam depois da crise do subprime? Deram linhas de liquidez para grandes empresas e deixaram contratados mandatos para fazer operações que alongassem captações de curto prazo, ganhando o direito de serem coordenadores-líderes. É possível que, quando a crise acalmar, [os bancos] venham com ofertas de debêntures para refinanciar a dívida de curto prazo contratada pelas empresas. É uma possibilidade.

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Benefício de R$ 600 a informais começará a ser pago semana que vem

O governo federal anunciou nesta sexta-feira (3) que o benefício emergencial de R$ 600, aprovado nesta semana, começará a ser pago a trabalhadores informais, como taxistas, faxineiras e ambulantes, na semana que vem. A expectativa é pagar cerca de 10 milhões de trabalhadores em um primeiro momento de uma operação definida como “colossal”. O dinheiro será distribuído a cerca de 100 milhões de brasileiros. O objetivo é amenizar o efeito da crise provocada pela pandemia do coronavírus.

Para receber o valor, que será concedido durante três meses, trabalhadores informais que não estão no Cadastro Único, contribuintes individuais do INSS e MEIs deverão se cadastrar em um aplicativo que será anunciado na terça-feira (7). Bastará baixá-lo no celular e se cadastrar. Após o cadastramento, caso o trabalhador cumpra as exigências da medida terá o dinheiro creditado em uma conta digital da Caixa em até 48 horas.

O governo também prevê que haja uma autorização de saques nas lotéricas e que o valor também possa ser retirado posteriormente em caixas eletrônicos.

Trabalhadores que não têm certeza se estão cadastrados no Cadastro Único poderão baixar o app e inserir o CPF. O próprio aplicativo dirá se o trabalhador já está cadastrado na base de dados do programa social ou não. Já os que recebem o Bolsa-Família não precisam baixar o app: o pagamento do benefício será feito a todos, conquanto que seja maior do que o valor recebido pelo programa social.

A partir do cadastro no aplicativo, os trabalhadores que tiverem conta na Caixa ou no Banco do Brasil poderão receber o benefício imediatamente no momento em que os bancos tiverem acesso à base de dados. Segundo Pedro Guimarães, presidente da Caixa, a partir desse momento os créditos poderão ser depositados nas contas em um dia ou no máximo um dia e meio.

O governo não deu uma data certa para que os pagamentos comecem a ser feitos, pois o decreto ainda não foi publicado.

Posteriormente, será criada uma linha telefônica que poderá auxiliar 80 milhões de pessoas beneficiadas.

 

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Goleiro no Inter, atacante nos investimentos: Marcelo Lomba fala de suas ações preferidas

SÃO PAULO – Jogos cancelados e falta de clareza sobre a data de retorno das práticas em grupo. O cenário de quarentena mudou a rotina de todos os jogadores de futebol do país, que seguem rodeados de incertezas sobre o reinício das atividades.

Para o goleiro Marcelo Lomba, no entanto, ainda há esperança de tudo ser normalizado sem muito prejuízo, apesar de o Internacional, assim como outros clubes do país, ter decretado férias para todos os jogadores durante o período de quarentena.

“No fundo, não estamos encarando esse período como férias. Os jogadores com quem eu falo não querem jogar a pré-temporada por água abaixo. Estou mantendo uma rotina diária de treinos só para estar me movimentando”, conta o jogador.

Lomba foi o convidado do Coffee & Stocks desta quinta-feira (02) e contou ao analista Thiago Salomão como tem lidado com seus investimentos durante esse período de turbulência no mercado.

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“Com o que eu tinha em ações, não consegui me proteger tanto, mas encaro as quedas com bastante naturalidade. Meu foco de investimentos é para um horizonte de longo prazo, de 2 a 3 anos”, afirmou.

Segundo Lomba, apesar de ter muita ação na carteira e da grande oscilação que o mercado apresentou nos últimos tempos, suas perdas não chegaram a ser tão significativas por uma questão de sorte.

“Minha mulher vinha pedindo há um bom tempo para comprarmos um apartamento para nós, eu vinha postergando desde 2014. Por fim, acabei comprando um no final do ano passado, o que me obrigou a vender 70% do que tinha em ações para fazer a aquisição. Eu também tinha uma put (opção de venda) de Ibovespa, mas acabei zerando ela quando o índice caiu ali para 105 mil pontos”, conta.

Lomba se considera um investidor agressivo e compra diretamente as ações que analisa. Segundo ele, faz parte de sua estratégia de investimentos deixar uma boa quantia em caixa para aproveitar as oportunidades quando elas aparecem.

“Ao final de todo mês, procuro ter algum caixa para ter um conforto maior. Quando após muito estudo eu vejo uma oportunidade, entro mais pesado, sem ansiedade e sempre visando o longo prazo”, disse o goleiro.

Durante a entrevista, Lomba também contou que vem estudando bastante o mercado financeiro nos últimos três anos, o que, segundo ele, tem ajudado a manter a calma em tempos de grandes oscilações no mercado.

Ele também rebalanceou sua carteira de investimentos no último mês e revelou os nomes de algumas das empresas que escolheu.

“Rebalanceei porque tenho visto muita coisa barata nos mesmos preços de 2017, que foi quando comecei a investir. Minha carteira hoje tem Banco do Brasil, Marfrig (maior posição), JSL, Movida, Vale, Petrobras, Cosan, JHSF e Eletrobras. Acredito que essas ações no longo prazo vão dar um bom retorno”, afirmou o jogador.

Questionado por Salomão sobre uma indicação de livro para quem deseja aprender mais sobre investimentos, Lomba recomendou “O Investidor Inteligente”, de Benjamin Graham, mas disse que muito do que aprendeu veio também de vídeos no Youtube.

“Tem muita coisa boa por lá. Além disso, leio bastante carta mensal de fundos e o próprio site de RI das empresas que eu penso em investir”.

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As ações preferidas dos analistas para investir em abril

SÃO PAULO – Em um cenário de volatilidade e de grandes perdas no mercado de renda variável, por conta dos efeitos recessivos do coronavírus, analistas começam o mês de abril mais cautelosos e na busca por nomes mais resilientes, de grandes empresas, que terão condições de superar a crise.

A avaliação é de que o ambiente continua muito incerto e de que companhias com bons fundamentos, sólida situação financeira e alta liquidez terão maior capacidade de atravessar o período de estresse dos mercados.

No último mês, o Ibovespa despencou cerca de 30% em um movimento forte e rápido de deterioração dos mercados, que se instaurou no país após o Carnaval.

Assim como em outras crises, a expectativa é de que haja um fim. A duração, contudo, segue desconhecida. Dito isso, analistas reforçam a necessidade de preservação de capital e a procura por nomes de qualidade.

“Procurar por assimetrias e descontos excessivos deve ser a melhor estratégia, até porque existe um peso grande de alguns setores dentro do índice, que podem distorcer e mascarar a recuperação de outros setores da economia”, diz Renato Chanes, estrategista do Santander.

Levantamento feito pelo InfoMoney com 12 casas de análise mostra que as principais apostas para abril recaem sobre as ações de JBS, Vale, B3, Petrobras e Pão de Açúcar, esta última substituindo Lojas Renner, presente no portfólio de março.

Confira a seguir as cinco ações mais recomendadas para abril e o desempenho delas no ano:

Empresa Ticker Número de recomendações* Retorno no 1º trimestre
JBS JBSS3 9 -21,16%
Vale VALE3 7 -18,91%
B3 B3SA3 6 -15,76%
Pão de Açúcar PCAR3 6 -25,36%
Petrobras PETR3 6 -55,81% (ON)
Ibovespa – – -36,86%

*Indicações compiladas das carteiras de ações de Ágora, Ativa, BB Investimentos, BTG Pactual, Elite, Genial, Guide, Necton, Rico, Santander Corretora, Socopa e XP.

JBS (JBSS3)

Pelo segundo mês consecutivo, as ações da JBS são as preferidas dos analistas para comprar em abril. A visão, segundo a Santander Corretora, é de que a companhia dispõe de um modelo de negócios resiliente, devido à diversificação de produtos (carne suína, bovina, de frango e alimentos processados), bem como à exposição a vários países.

Na XP, os papéis de JBS, que estavam na carteira desde fevereiro de 2019 mas foram retirados em março por conta da alta volatilidade em virtude do Covid-19 na China, voltam a compor a seleção recomendada.

Betina Roxo, analista do segmento de alimentos e bebidas da XP, avalia que, com a normalização de casos de coronavírus na potência asiática e um dólar mais alto, o papel volta a ficar interessante. “As operações nos Estados Unidos representam 78% da receita da JBS, o que é um ponto muito bom. O setor tem uma resiliência maior que no Brasil e se favorece com o dólar mais alto”, afirmou, em transmissão ao vivo realizada nesta quarta-feira (01) pelo YouTube.

Vale (VALE3)

As ações da mineradora Vale ficaram em segundo lugar entre as mais recomendadas para abril, com sete menções.

De acordo com o BB Investimentos, que incluiu os papéis na seleção deste mês, a companhia possui uma solidez financeira e um mercado equilibrado em termos de oferta e demanda.

Segundo os analistas do banco, como os preços do minério de ferro se mantêm em patamares elevados e acima do seu custo de produção, a geração de caixa da Vale deve continuar expressiva, mesmo que haja uma correção de preço no curto prazo.

A avaliação é compartilhada pela Santander Corretora, que chama atenção para o descolamento entre a dinâmica de preços do minério de ferro e as cotações das ações do setor, o que levou à ampliação da participação de VALE3 no portfólio, de 9% para 12%.

B3 (B3SA3)

Com seis recomendações para este mês, B3 é novidade na carteira da Necton, que destaca que o cenário de forte volatilidade pode resultar em um incremento da margem líquida e geração de caixa para o próximo trimestre, diante da expectativa de aumento do volume financeiro transacionado na Bolsa.

Apesar de o cenário para ofertas de ações ter piorado em decorrência dos impactos do coronavírus nos mercados, o time de análise da Guide diz ver operações de IPO e follow-on voltando no segundo semestre e que, mesmo em uma velocidade reduzida, devem impulsionar os ganhos operacionais da Bolsa brasileira.

Pão de Açúcar (PCAR3)

Também com seis recomendações, Pão de Açúcar entrou neste mês para a carteira da XP, da Ágora, do BB Investimentos e da Ativa.

A inclusão no portfólio se deve, segundo o BB Investimentos, à forte atuação da companhia no segmento de varejo alimentar, que vem sendo favorecido pelo aumento do consumo de produtos alimentares nos lares domésticos, em função das restrições à livre circulação de pessoas e do fechamento do comércio.

Em teleconferência no YouTube, Pedro Fagundes, analista da XP, destacou as fortes iniciativas digitais assumidas pelo Pão de Açúcar ao longo dos últimos anos, que permitiram ao grupo incrementar as vendas online de produtos. Fagundes citou, ainda, o desconto das ações em relação aos pares.

Já a equipe da Ágora destaca a resiliência da companhia em períodos de crise. “Usando a crise de 2008 como parâmetro, enquanto outras empresas do setor de consumo e varejo experimentaram uma desaceleração no crescimento das vendas pelo critério de mesmas lojas, entre o terceiro trimestre de 2018 e o primeiro trimestre de 2019, verificamos que o Pão de Açúcar não viu nenhuma mudança em sua tendência.”

Vale lembrar que a companhia migrou para o Novo Mercado, da B3, em 2 de março, concluindo a conversão de ações preferenciais (PN) em ordinárias (ON).

Petrobras (PETR3)

Empatada na terceira posição, Petrobras recebeu seis recomendações de casas de análise para abril.

Entre as justificativas para a inclusão no portfólio, a Guide cita a continuidade da venda de ativos onshore (em terra) e o avanço do projeto de desinvestimento das refinarias.

Já os analistas da Necton destacam as medidas anunciadas pela companhia para minimizar os impactos do coronavírus, como a redução de estoque das operações para adaptar-se ao novo cenário de retração da demanda, bem como a renegociação dos contratos com fornecedores, visando reduzir a necessidade de giro de capital.

“Seguimos otimistas com os ativos da Petrobras, que deve apresentar números mais sólidos nos próximos anos, com ganho de rentabilidade e redução de sua alavancagem financeira”, escreve a Necton, em relatório.

Nesta quinta-feira (2), as ações ordinárias da Petrobras chegaram a subir 17% após o presidente americano, Donald Trump, publicar em sua conta do Twitter que o príncipe saudita espera um corte de produção de 10 milhões de barris de petróleo. Minutos depois, Trump afirmou que o corte poderia ser ainda maior, de 15 milhões de barris. A notícia é recebida com alívio pelos investidores em meio à guerra de preços da commodity.

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É hora de comprar? As ações que estão no radar da Brasil Capital

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SÃO PAULO – Algumas das maiores oportunidades na Bolsa surgem justamente quando ninguém enxerga nada. A afirmação é de André Ribeiro, sócio-fundador da Brasil Capital e convidado especial da série Stock Pickers – Aprendizados em Tempos de Crise desta quarta-feira (1).

Em entrevista aos apresentadores Thiago Salomão e Renato Santiago, Ribeiro falou de suas perspectivas para o mercado de ações e revelou quais papéis estão baratos no momento, segundo a avaliação da gestora. Clique aqui para assistir à conversa na íntegra.

“Ninguém está enxergando nada, e isso faz com que o mercado tenha essa grande volatilidade”, afirmou. “E nesses momentos sem clareza é que surgem as maiores oportunidades de investimentos, desde que você tenha serenidade, paciência, tranquilidade e foco em obter resultados no longo prazo.”

Ribeiro conta que a gestora conversou nos últimos dias com executivos de todas as empresas que compõem seu portfólio e traçou estimativas para seus resultados. A conclusão, segundo ele, foi a de que há empresas de alta qualidade na Bolsa “negociando a valores que provavelmente só vamos ver em crises como essa”.

Para o gestor, muitos investidores acabam se desfazendo de ativos por uma necessidade de alívio imediato. “Mas o que acontece, historicamente, é que crises passam, e a primeira coisa que você faz quando olha para trás é se perguntar como aquela empresa bateu um valor de mercado tão baixo. Porque era óbvio que ela iria sobreviver”.

Value investor raiz, Ribeiro acredita que, ainda que 2020 se mostre “uma temeridade”, o valor intrínseco de uma boa companhia não merece cair 50% ou 60%. Não à toa, a Brasil Capital entrou para o grupo de casas cobiçadas que reabriram seus fundos para captação.

“São pouquíssimas as pessoas que estão dispostas a fazer um investimento com a cabeça no lugar nesse momento”, afirma. E aconselha: “As pessoas precisam entender o seu apetite por risco. Se você não dormir à noite, não invista.”

Para saber como encontrar boas oportunidades na Bolsa hoje, assista à nova série do Stock Pickers: Aprendizados em Tempos de Crise. Para garantir o seu acesso de graça, basta clicar aqui.

Quando tamanho é documento

Embora veja oportunidades no horizonte, Ribeiro reconhece que o momento é delicado para muitas empresas listadas em Bolsa. Por isso, o investidor deve tomar alguns cuidados antes de aumentar a exposição de sua carteira à renda variável.

“Não é momento de alavancagem, não é momento de procurar oportunidades de multiplicar seu capital por 20 vezes. É o momento de montar uma carteira com empresas líderes, dominantes, com vantagens competitivas e executivos de alto nível”, sugere. “Para quem puder esperar de um a dois anos [após a compra], o resultado será muito positivo”.

Para o gestor, as companhias mais sólidas de cada setor podem sair da crise com suas principais concorrentes enfraquecidas e, portanto, comparativamente mais fortes do que entraram.

“No histórico que temos no país, as empresas líderes de seus setores acabaram gerando bons resultados depois de grandes crises, com quedas de até 50% no mercado”, ressalta.

Mas Ribeiro não divide as empresas no momento apenas pelo tamanho. Em seu radar, as companhias estão divididas em serviços essenciais e discricionários — cuja demanda tende a ser mais elástica.

No curto prazo, os resultados das últimas devem sofrer mais que os das primeiras, e o mercado já colocou isso na conta. “Elas estão tomando uma paulada enorme”, afirma.

Mas, pensando no médio e longo prazo, avalia o gestor, são justamente as empresas de consumo discricionário que estão negociando a preços mais descontados. “Muitas delas são de altíssima qualidade. Se você assume que o mundo não vai acabar, você consegue montar uma boa carteira de investimentos com foco em dois ou três anos que vai dar muita alegria.”

As ações que ganharam moral

O tombo da Bolsa trouxe algumas mudanças para o portfólio da Brasil Capital. Ribeiro explica que algumas companhias ampliaram sua participação de forma passiva, porque caíram menos que seus pares, enquanto outras ganharam destaque no portfólio de forma ativa.

Entre as empresas que ganharam força no book estão Rumo, SulAmérica e a B3.

A operadora de ferrovias já fazia parte do portfólio da gestora, mas comparativamente em menor escala. Embora tenha sofrido um pouco no início da crise, destaca Ribeiro, o mercado percebeu que seus resultados operacionais devem ser pouco afetados pelo coronavírus.

A participação da SulAmérica no fundo seguiu caminho semelhante. Após penalizarem a empresa com a previsão de que a crise na saúde impactaria fortemente sua taxa de sinistralidade, os investidores perceberam que a pandemia pode adiar alguns dos custos mais altos da seguradora — caso de cirurgias eletivas e consultas, por exemplo.

A B3, por sua vez, entrou para o portfólio de forma mais ativa. Segundo Ribeiro, os volumes de transações diárias intermediados pela companhia estão “muito fortes”, boa parte das receitas está dolarizada e a empresa ainda paga dividendos generosos.

Para saber dessas e outras empresas que estão no radar da Brasil Capital, não deixe de assistir à entrevista completa.

Vai cair mais?

Embora considere que o pânico tenha distorcido os preços dos ativos para baixo, Ribeiro não descarta a possibilidade de que a Bolsa caia ainda mais. “Pode cair 20, 30% a mais? Eu acho que podem.”

Por isso, seu conselho para o investidor que tiver estômago e consiga dormir bem à noite posicionado em ativos de risco é que não tente identificar o fundo do poço, nem fazer operações milagrosas.

“Ninguém vai acertar qual é o fundo do poço, então tem que montar estratégia de médio e longo prazo de eventualmente fazer o preço médio, seja investindo em cotas de fundos, seja investindo nas grandes vencedoras.”

Quer saber quais são as oportunidades que os maiores especialistas em ações do país estão enxergando na Bolsa? Então clique aqui agora para assistir à nossa série inédita.

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Tesouro Direto: Taxas de títulos prefixados recuam nesta quinta-feira

SÃO PAULO – Em um dia de maior alívio nos mercados, em meio a um rali dos preços do petróleo, as taxas dos títulos públicos prefixados negociados via Tesouro Direto apresentavam queda na tarde desta quinta-feira (2).

O Tesouro Prefixado 2023 oferecia um prêmio anual de 5,46%, ante 5,52% a.a. na tarde de quarta-feira (1). O papel com juros semestrais e vencimento em 2031, por sua vez, oferecia um juro anual de 8,01%, ante 8,09% a.a. anteriormente.

Entre os títulos indexados à inflação, as taxas subiam. O juro do papel com prazo em 2026 avançava de 3,70% para 3,73% ao ano, enquanto o Tesouro IPCA+2035 pagava 4,61% ao ano, ante 4,56% a.a. ontem.

Confira os preços e as taxas dos títulos públicos ofertados nesta quinta-feira (2):

Fonte: Tesouro Direto

Noticiário

Entre os destaques do noticiário do dia, o número de pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos cresceu de 3,3 milhões, na semana encerrada no dia 20 de março, para 6,6 milhões, na semana passada. O resultado ficou acima da expectativa mediana dos economistas consultados pela Bloomberg, que apontava para um aumento a 3,7 milhões de pedidos.

Ainda no exterior, mercados repercutiram a notícia de que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, concordou com o presidente americano, Donald Trump, que a atual situação dos mercados de petróleo não é favorável para nenhum dos dois países. Já a China anunciou um plano para ampliar suas reservas da commodity. O barril do Brent – usado como referência pela Petrobras – chegou a disparar 36%, mas amenizou ou ganhos e avançava cerca de 20%, por volta das 17h, para US$ 29,87.

No Brasil, em meio a medidas para tentar minimizar o impacto do coronavírus sobre a economia, o Congresso realiza hoje uma sessão deliberativa remota no Senado para analisar o projeto de lei que garantirá recursos para o auxílio de R$ 600 aos trabalhadores autônomos.

Leia também:
• Com pressão generalizada sobre os preços, títulos públicos chegam a cair 24% em março

Ontem, o governo federal anunciou um programa que permite a redução da jornada de trabalho e salário em 25%, 50% e até 70% por até três meses, por meio de acordos individuais – entre empregador e empregado – ou coletivos. A medida também autoriza a suspensão dos contratos por até dois meses.

Outras medidas divulgadas incluem o pagamento de uma parte do seguro-desemprego, a qual o trabalhador teria direito se fosse demitido, bem como o anúncio de que o governo irá zerar o IOF em operações de crédito por 90 dias.

No mundo, a contagem de pessoas contaminadas pela Covid-19 ultrapassou nesta tarde a marca de um milhão. São mais de 50 mil mortes. No Brasil, o número de infectados supera os 7,9 mil casos, com 299 mortes.

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quinta-feira, 2 de abril de 2020

Fundos têm saída de 320 mil cotistas desde início da crise; confira quais ganharam e perderam mais investidores

SÃO PAULO – As fortes quedas dos mercados de renda variável e renda fixa neste contexto de crise têm provocado uma saída de investidores de fundos de investimentos de todas as categorias. Levantamento feito pela Economatica a pedido do InfoMoney revela que, desde 21 de fevereiro, quando a epidemia começou a provocar estrago nas Bolsas, até o dia 27 de março, fundos de renda fixa, multimercado e ações perderam, juntos, 323,5 mil cotistas.

Os multimercados perderam 1,94%, ou 56,5 mil cotistas de sua base anterior ao início da crise, enquanto fundos de renda fixa registraram queda de 1,64%, ou 168,1 mil investidores, e carteiras de ações tiveram baixa de 1,6%, ou 99 mil cotistas.

O levantamento exclui fundos exclusivos, carteiras criadas em 2020 e, no caso de ações, elimina Fundos Mútuos de Privatização Petrobras e Vale, que investem recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Entre os fundos de maior risco, de ações e multimercados, há carteiras com perdas de até 15 mil investidores, mas há também carteiras que ganharam mais de 6 mil cotistas.

Confira a seguir os dez fundos multimercados com maiores perdas e ganhos desde 21 de fevereiro.

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No grupo dos dez fundos multimercado com maior aumento de cotistas, metade apresenta valorização desde 21 de fevereiro, especialmente os com exposição a ouro. O Trend Ouro, da XP, por exemplo, ganhou 3.833 investidores desde o início da crise e rende 0,96% no período. Da mesma forma, o fundo Órama Ouro aumentou a base em 3.168 investidores, em meio à valorização de 14% da carteira.

Já entre os fundos de ações, os dez fundos que mais ganharam cotistas registram desvalorização das cotas desde o início da crise. Destaque para o BB Ações Petrobras, com perda da ordem de 57%, porém com 2.463 cotistas a mais que em 21 de fevereiro. O fundo investe os recursos preponderantemente nos papéis da estatal.

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O Real Investor FIA lidera a lista, com um aumento de 4.356 investidores na base, e também chama atenção o crescimento do Alaska Black Institucional FIA, que ganhou 2.378 cotistas. Ambas as carteiras tiveram perdas da ordem de 37%.

Sem abrir a composição do fundo, Cesar Paiva, sócio fundador e gestor da Real Investor, diz que a gestora está privilegiando empresas mais bem preparadas atualmente, com boa gestão, baixo endividamento e fôlego para atravessar o novo momento da economia.

“Estamos fazendo várias mudanças, tem muita oportunidade e temos aproveitado para comprar empresas que julgamos muito baratas, ainda que também passem por esse período difícil”, diz.

O contexto tem sido aproveitado para a maior diversificação do portfólio e todos os cases estão sendo revistos. Segundo Paiva, quase 100% do fundo já está alocado hoje.

Na trajetória oposta, o Moat Capital FIC FIA perdeu mais de 15 mil investidores de sua base, embora tenha registrado uma captação líquida de R$ 89 milhões desde o início da crise. Carteiras com foco em ações small caps também figuram na lista de maiores perdas de cotistas, assim como fundos voltados a papéis de construção civil.

William Eid Júnior, coordenador do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getúlio Vargas, ressalta que, diferentemente de outras crises, quando as taxas de juros no Brasil ainda estavam no patamar de dois dígitos, dessa vez, o investidor não tem alternativas rentáveis nas quais se refugiar.

“Antes, o investidor amargava perdas com o risco, mas depois recuperava na renda fixa. Hoje essa fuga não funciona mais. O investidor ficou sem opção”, diz. “Mesmo em um mercado de crédito de segunda linha, as opções são restritas.”

Embora as incertezas persistam, o conselho segue de manter as posições e focar em alguma retomada no longo prazo. “A educação financeira do investidor é testada quando se tem uma crise. Quando se coloca o dinheiro em risco, é necessário saber que risco significa possibilidade de perda. E tem que ser um dinheiro que possa sofrer oscilações no médio e longo prazo”, assinala Eid Júnior.

Oportunidade x Risco

Para o planejador financeiro com certificação CFP Bruno Mori, o momento é de oportunidade para a entrada em fundos de ações, desde que o investidor tenha uma fatia líquida na carteira, sem necessidade de recorrer à reserva de emergência.

“Não há garantia de ganho expressivo no curto prazo, mas o investidor pode aplicar de olho em dois, três anos”, diz.

Paulo Corchaki, CEO e fundador da Trafalgar Investimentos, que tem um braço de gestão de recursos e outro de patrimônio, concorda com Mori e diz estar aumentando a fatia de risco dos portfólios de forma gradual, olhando para um horizonte mínimo de 12 meses.

Segundo ele, independentemente da performance, um fundo só deve ser resgatado se não corresponder ao seu mandato ou se o investidor precisar de liquidez. “Evitaria ao máximo me desfazer de qualquer tipo de fundo neste momento, principalmente de ações”, afirma.

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As ações que devem levar a melhor em abril, segundo a XP

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SÃO PAULO – Um mês memorável, mas que muitos gostariam de esquecer. Em março, o Ibovespa acumulou queda de 29,90%, maior recuo mensal em 22 anos, com direito a 6 circuit breakers – mecanismo emergencial que interrompe as negociações quando a queda do Ibovespa ultrapassa determinados limites.

A cotação do dólar comercial, por sua vez, saltou 15,96% no período, encerrando em R$ 5,194 no último pregão do mês.

Diante do cenário ainda nebuloso, a XP Investimentos realizou algumas mudanças em sua carteira recomendada de ações para abril. Betina Roxo, analista da XP Investimentos, foi a convidada desta quarta-feira do quadro Coffee & Stocks, do Stock Pickers, e explicou cada uma delas.

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O melhor ataque é a defesa?

Durante entrevista ao analista Thiago Salomão, Betina contou que a XP optou por tornar a carteira um pouco mais defensiva, além de reduzir o target do Ibovespa para 94 mil pontos para o fim de 2020.

Para lidar com o cenário, a casa preferiu reduzir a posição em empresas domésticas e adicionar mais peso a nomes expostos à economia global.

Entre as mudanças realizadas na carteira da XP para abril, a analista citou a substituição de Ecorodovias, Cyrela, Lojas Renner, Via Varejo e Iguatemi por JBS, Marfrig, Vale, Suzano e Grupo Pão de Açúcar. Clique aqui para ver a carteira completa.

“No mês passado, fizemos uma mudança extraordinária, justamente para colocar nomes mais resilientes, foi quando colocamos Ambev e Copel. Em abril, a gente diminuiu a exposição ligada ao ciclo doméstico, uma vez que devemos ter impactos significativos da quarentena por aqui”, afirmou Betina.

O setor de proteínas

Sobre a escolha de adicionar JBS e Marfrig à carteira de abril, Betina destacou a importância da exposição ao mercado americano.

“Mais de 70% da receita das duas vêm das operações dos EUA, que é um país em que a demanda está indo bem, onde o consumo de alimentos é diferente, já que eles estocam mais comida, e têm uma renda disponível maior que o Brasil”, explicou ela.

Betina também citou alguns pontos que foram levados em conta para o stock picking, como margens de operações mais estáveis, exposição favorável à alta do dólar e o aumento da procura por alimentos.

“Vale dizer também que essas empresas possuem exposição à China, país que já está normalizando a sua rotina, depois de ter sido atingido pelo coronavírus”, ressaltou.

As commodities

A XP também optou por adicionar Vale e Suzano a sua carteira recomendada. Segundo Betina, ambas as empresas tendem a se beneficiar da recuperação da atividade econômica chinesa e dos preços de suas respectivas commodities no país asiático.

“A China já iniciou uma trajetória de retomada da economia e pode ter mais impulso de estímulos do governo. No caso da Vale, o preço do minério acabou não caindo tanto, e existe uma relação de oferta e demanda equilibrada. Não enxergamos espaço para as mineradoras produzirem acima do estimado no início do ano”, afirmou, acrescentando que o preço das ações da empresa também está bastante atrativo.

“A Vale está negociando a 3x EV/EBITDA para 2020 e estimamos 13% de retorno com geração de caixa em 2020”, disse a analista durante a entrevista.

Sobre a Suzano, Betina afirmou que o volume de vendas da empresa não deve sofrer grandes impactos por conta do coronavírus.

Segundo ela, outro ponto levado em consideração foi o endividamento da empresa. Embora a companhia tenha uma alavancagem elevada, a Suzano tem caixa para honrar com suas dívidas de curto prazo.

“80% das receitas contra apenas 15% dos custos da Suzano são em dólar, então a companhia será favorecida em caso de manutenção do câmbio em patamares elevados. Com isso, esperamos um retorno de geração de caixa em torno dos 10% em 2020”, afirmou.

O setor de varejo

Entre as varejistas, a XP optou por adicionar as ações do Grupo Pão de Açúcar entre suas recomendações para abril. Dentre os motivos para tal mudança, Betina explicou que, hoje, as ações do grupo oferecem uma combinação de resiliência no curto prazo e uma relação risco-retorno atrativa.

“Nós acreditamos que empresas relacionadas ao consumo básico (alimentação e saúde) devem ser as menos impactadas pela crise. Nesse cenário, o GPA vem se beneficiando de um aumento importante de vendas no curto prazo, não só em função da estocagem de produtos durante o período de quarentena, mas também por um aumento no consumo das famílias e da alimentação dentro de casa”, afirmou a analista.

Betina também destacou o nível de preços em que as ações do grupo vêm sendo negociadas – depois de uma queda de 30% desde o final de janeiro -, em comparação ao Carrefour, seu principal concorrente.

A entrevista de Betina faz parte de uma série de conversas do Stock Pickers com os maiores especialistas em ações do Brasil.

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Preço do gás dispara para até R$ 130 o botijão e Procon fiscaliza

Assim como foram registrado grandes reajustes de preços em alimentos básicos nos supermercados, o preço do botijão de gás disparou em São Paulo. Parte desse reajuste se deve ao aumento da demanda pelo produto, provocada pelo isolamento social necessário para conter o avanço do coronavírus.

No aplicativo que compara preço de revendores Chama, o botijão no bairro do Tatuapé, na zona leste da cidade, chega a ser vendido por R$ 95. Na zona oeste, em Pinheiros, o botijao de 13 kg é vendido por mais de R$ 80. Na zona sul, no Morumbi, o preço atinge até R$ 99,99. Tradicionalmente, o preço do botijão é de R$ 70. Ou seja, o aumento de preços chega a ser de 42%.

No domingo (29) o Ministério de Minas e Energia apontou que os reajustes de preço foram causados pela grande demanda das famílias pelo GLP, que causou uma “escassez pontual”. Como forma de solucionar o problema, a Petrobras faria a importação adicional da commoditie. A expectativa é de que a situação seja normalizada em alguns dias.

Para coibir abusos enquanto os preços não voltam à normalidade, o Procon-SP e o Dope (Departamento de Operações Policiais Estratégicas) vão atuar conjuntamente no combate, identificação e punição.

A ação é mais uma medida de enfrentamento à crise causada pelo impacto econômico da pandemia do coronavírus. O Governador João Doria fez o anúncio nesta quarta-feira (1º) e destacou que os abusos não serão tolerados.

“O preço do botijão de gás, no limite, é de R$ 70. Não é nem R$ 71, nem R$ 72, nem R$ 80. Em uma situação como a que estamos vivendo, R$ 10 fazem muita falta. O Procon São Paulo está autorizado a agir, de acordo com a lei, para proteger o interesse público, especialmente da população de baixa renda”, disse Doria.

O diretor geral do Procon-SP, Fernando Capez, informou que em casos mais extremos, o valor chegou a R$ 130. Ele informou que, para coibir tais práticas, o Procon-SP contará com o apoio das viaturas do Dope.

Os policiais do departamento que estiverem em patrulhamento farão abordagem de fornecedores de botijões de gás, caso identifiquem aglomeração de pessoas ou preços abusivos. As equipes do Procon-SP serão acionadas para aplicação das sanções previstas na legislação.

Os fornecedores que forem flagrados realizando vendas a preços abusivos serão multados e conduzidos às delegacias de polícia para que respondam por crime contra a economia popular. “Não há risco de desabastecimento de botijões de gás. Não há nenhuma justificativa para que as pessoas se aglomerem nos pontos de venda e paguem mais caro”, afirmou Capez.

A orientação do Procon-SP é de que os botijões de gás sejam comercializados por valores entre R$ 68 e R$ 70. Em diálogo com o Sindicato de Fornecedores de Gás, o órgão estadual confirmou que não houve qualquer alteração nos custos que pudesse justificar a elevação dos preços cobrados dos consumidores.

Denúncias

Apenas no período da quarentena, já foram registradas mais de 120 denúncias online contra preços abusivos do botijão de gás, nas redes sociais, aplicativo e site do Procon-SP.

Considerando a orientação de manter o isolamento e evitar sair de casa, o Procon-SP disponibiliza canais de atendimentos à distância para receber denúncias, intermediar conflitos e orientar os consumidores: via internet, aplicativo – disponível para Android e iOS – ou via redes sociais, marcando @proconsp, indicando o endereço ou site do estabelecimento.

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Receita adia pagamento da restituição do Imposto de Renda; veja nova data

A Receita Federal adiou a data de pagamento da primeira cota do Imposto de Renda da Pessoa Física e retirou a exigência de informar o número do recibo de entrega da última declaração.

As medidas são em decorrência do adiamento do prazo final para entrega da Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física, do dia 30 de abril para o dia 30 de junho de 2020, anunciada nessa quarta-feira (1º).

“Como consequência, a data do débito automático da 1ª cota passa de 10 de abril para o dia 10 de junho e as datas permitidas para o débito automático das demais cotas passam a ser aquelas compreendidas entre 11 de junho (originalmente era 11 de abril) e o último dia do prazo, agora, dia 30 de junho de 2020”, informou hoje (2) a Receita, em nota.

Sobre o recibo do ano anterior, a Receita informou que, historicamente, há contribuintes que se dirigem às unidades de atendimento do órgão para pegar o número do recibo da última declaração, seja porque perderam a versão impressa ou não têm mais acesso à mídia ou ao computador em que estava armazenado o recibo.

“Com a alteração do prazo e a retirada da exigência da informação do número do recibo, objetiva-se evitar eventuais aglomerações de contribuintes no atendimento da Receita Federal, bem como em empresas ou instituições financeiras, na busca de informes de rendimentos, e em escritórios de profissionais ou em entidades que prestem auxílio no preenchimento das declarações, de modo a contribuir com o esforço governamental de diminuir a propagação do novo coronavírus”, disse a Receita.

As últimas notícias da pandemia do novo coronavírus:

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Contratos futuros de moedas por dólares batem recorde

Há pouco mais de um ano, a B3 lançou 16 pares de moedas estrangeiras diretamente contra dólares. Antes disso acontecer, os contratos futuros de moedas já existiam, mas as negociações em pares tinham como referência o real. “O investidor tinha de operar dois contratos: o da moeda desejada contra reais, e o contrato futuro de dólar contra reais para obter a exposição desejada. Isso gerava riscos de execução e maiores custos para os investidores”, explica Marcos Skistymas, superintendente de juros e moedas da B3.

Outro incentivo da B3 veio com o credenciamento, no fim do ano passado, de três formadores de mercado para os contratos futuros de moedas (USD). São dois bancos e a Infinox Capital, corretora inglesa que atua como formadora de mercado há mais de 11 anos. “Por meio da atuação desses formadores, os investidores têm a tranquilidade de negociar os contratos de moedas estrangeiras contra dólares sabendo que podem entrar e sair de suas posições a qualquer momento de forma rápida e a preços justos”, explica Skistymas.

Regulamentada pela Financial Conduct Authority (FCA), agência que controla os serviços financeiros na Inglaterra, a Infinox diz que sua matriz deixou de aceitar clientes domiciliados no Brasil para incentivá-los a buscar as corretoras locais. Enquanto isso, ela se concentra em seu papel de manter as ordens de compra e venda regulares e contínuas durante o pregão, facilitando as transações, principalmente de pequenos investidores. “Faremos o possível para conectar os brasileiros ao mercado mais líquido do mundo”, afirma Robert Berkeley, CEO da Infinox.

Recordes de negociação

Os esforços da B3 para incentivar o mercado de contratos futuros (USD) vêm surtindo efeito. Em fevereiro deste ano, foram abertos mais de 154.000 contratos; um crescimento de 309% em relação à média de 2019. Esse tipo de produto representa, segundo a B3, 74% do volume operado no mercado em fevereiro, tornando os contratos futuros por dólar mais representativos do que os contratos futuros por reais.

Embora a busca por exposição de ativos estrangeiros seja um movimento recente no mercado brasileiro, ela tem se tornado cada vez mais recorrente por parte de investidores. Os contratos futuros podem ser usados tanto como forma de proteção, para evitar que variações em taxas de câmbio impactem negativamente os negócios, quanto de especulação sobre o preço de uma determinada moeda em data futura.

Sócio da V8 Capital Gestão de Investimentos, Alex Lima afirma que o mercado de futuros de moedas é uma alternativa estratégica para investidores brasileiros, mesmo em tempos de crise como a que vem sendo causada pela pandemia de covid-19. “Ativos nacionais, como Risco Brasil, juros e dólar ficam muito correlacionados e a liquidez de diversos instrumentos, bastante prejudicada. Além disso, momentos de pânico ativam circuit breakers em diversos instrumentos, deixando os investidores sem reação e com grandes prejuízos”, diz ele. “Portanto, ter liquidez em moedas ajuda muito, tanto em termos de diversificação como de proteção.”  

Qualquer dúvida sobre o produto: www.infinoxpro.com ou www.b3.com.br

 

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XP Asset reduz participação no capital da Via Varejo

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SÃO PAULO – A XP Asset diminuiu a participação da Via Varejo (VVAR3) nos fundos de investimentos geridos por ela, informou a varejista, dona das Casas Bahia e Ponto Frio, em comunicado ao mercado na noite da última terça-feira (31).

A informação pública mais recente, de 13 de março, apontava para uma participação de 5,4% da gestora no capital da companhia, que foi reduzida para 2,9%.

De acordo com a XP Asset, a movimentação das ações não tem o propósito de alterar a composição do controle acionário ou a estrutura administrativa da companhia.

Nesta sessão, os papéis VVAR3 caíam 12,12%, a R$ 4,64, às 13h48 (horário de Brasília). No ano, a baixa acumulada é de 58%.

João Braga, sócio-gestor da XP Asset, afirmou pelo Twitter que, no momento, não faz sentido concentrar a carteira como há dois meses, “quando era difícil encontrar ativos baratos na Bolsa”.

E completou: “A posição era muito grande, muito maior que as outras”, destacando que a XP Asset continua gostando do papel.

Ao InfoMoney, Braga destacou ainda que segue confiante na nova gestão da varejista, ressaltando que reduziu recentemente a participação na Qualicorp (QUAL3) também de modo a diminuir a concentração da carteira.

Apontando gestão de portfólio, Braga ainda afirmou que a XP Asset comprou ações de empresas com receitas dolarizadas e que sofreram muito, como Vale (VALE3) e Suzano (SUZB3). “E várias outras que caíram muito”, completou.

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Benefício de R$ 600: “Não procurem os bancos ainda”, pede ministro

Apesar de o presidente Jair Bolsonaro ter aprovado o benefício de R$ 600 para apoiar trabalhadores  durante a crise do coronavírus, a operação para pagamento do valor a trabalhadores informais, microempreendedores individuais e trabalhadores com contrato intermitente inativo ainda está sendo articulada pelo governo.

Nesse cenário, as instruções do ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, continuam valendo. O ministro pediu, em evento na segunda-feira (30), para que as pessoas não procurem bancos e lotéricas até que os detalhes sobre o pagamento sejam divulgados. “Não se dirijam nesse momento nem às agências da Caixa Econômica Federal nem às agências do Banco do Brasil. O sistema ainda não está implantado. Vamos anunciar brevemente como será a implementação.”

O objetivo do governo é que todas as pessoas elegíveis possam receber os recursos a que têm direito de forma segura, evitando a propagação do vírus e sem fraudes. Além disso, a ideia é fazer com que o dinheiro chegue rapidamente às mãos de quem efetivamente necessita.

O ministro reforçou que o repasse dos recursos será feito a partir dos bancos federais, como Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Basa e BNB. Redes conectadas a esses braços financeiros, como lotéricas e Correios, também servirão de suporte.

Onyx também comentou que mesmo as pessoas que não fazem parte do Cadastro Único do Governo Federal receberão o benefício, a partir de um sistema digital que está em fase de implementação.

Lorenzoni também citou a importância de os contribuintes terem cuidado com sites falsos que surgiram nos últimos dias para se aproveitar da situação. “Por favor, tenham um pouco de calma, não passem os seus dados para qualquer pessoa ou site que diga que por lá você vai receber o benefício.”

Distribuição do pagamento dos R$ 600

Segundo o ministro, há um esforço das equipes do Ministério da Economia, da Casa Civil e do Ministério da Cidadania para ajustar essa operacionalização do pagamento dos R$ 600.

Após a sanção presidencial,  realizada nesta quarta-feira (1º), terá de haver depois um decreto regulamentador e uma Medida Provisória de crédito extraordinário para permitir que o recurso seja distribuído.

Como funcionará

O governo vai levar em conta requisitos da lei aprovada pelo Congresso Nacional, a base de dados do Cadastro Único, além de informações que serão recebidas por um sistema digital ainda em formulação para atender os beneficiários que não estão em cadastros federais.

No caso do Bolsa Família, a ideia inicial é haver uma folha de pagamento suplementar para os beneficiários que tiverem direito aos R$ 600. “Pagaremos as 14 milhões de pessoas do Bolsa Família agora em abril. Aqueles que estão no Bolsa Família e têm pela lei direito aos R$ 600, seguramente vamos pedir para que a Caixa Econômica Federal faça um esforço para agilizar o pagamento do benefício”, disse Onyx.

Também haverá especificidades voltadas para microempreendedores individuais (MEI), contribuintes individuais do INSS e para informais. “Estamos falando com o Ministério da Economia, que está aprontando essa base de dados do MEI. Eles vão transferir para o Ministério da Cidadania e para o Cadastro Único para que a gente possa estabelecer com clareza os critérios. Os contribuintes individuais estão fora do MEI, mas recolhem INSS. Os informais estão à margem de qualquer cruzamento de dados, mas para eles haverá uma solução tecnológica, ainda em desenvolvimento”, disse o ministro.

 

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BlackRock, Bradesco, GIC: Quem está buscando barganhas na bolsa

(Bloomberg) — A BlackRock está entre os fundos e magnatas em busca de pechinchas na bolsa brasileira.

A empresa de investimento global aumentou posições em quatro companhias brasileiras acima de 5% no mês passado, segundo análise de mais de 40 documentos na CVM. O GIC, fundo soberano de Cingapura, o Banco Bradesco e uma gestora que tem o bilionário Jorge Paulo Lemann entre os acionistas minoritários também foram às compras com participações relevantes desde o fim de fevereiro.

Com queda acumulada de 54%, o Ibovespa tem o pior desempenho entre os principais pares globais neste ano em dólar. Mas, como investidores em busca de pechinchas ainda são poucos e estrategistas de Wall Street permanecem pessimistas em relação aos mercados emergentes, a tendência é de cautela.

“A verdade é que tem muita coisa barata. É como pescar no aquário”, disse Bruno Garcia, diretor de investimentos da Truxt. “Só é necessário escolher as empresas que não vão quebrar.”

Ed Kuczma, que administra fundos de ações da América Latina na BlackRock, disse que ele e sua equipe têm conversado com várias empresas que estão se posicionando para sair da crise do coronavírus mais fortes para competir no mercado.

“Há muitas barganhas surgindo”, disse Kuczma. A empresa tem apostado em setores como o financeiro, consumo discricionário e imobiliário. “Estamos confiantes de que as ações brasileiras devem se beneficiar de uma redução sustentada da volatilidade.”

Algumas das recentes apostas da BlackRock como um todo incluem Taesa, GPA, Notre Dame Intermédica, Qualicorp e Iochpe Maxion, segundo documentos enviados à CVM.

A BlackRock não comenta posições específicas. E, embora a CVM exija que as empresas divulguem informações sobre qualquer acionista com participação de 5% ou mais, elas nem sempre informam quantas ações foram compradas ou se o comprador tinha participação anterior.

Desde o começo da crise, o fundo GIC comprou ações da Locaweb. A Tarpon Asset Management aumentou a fatia na Kepler Weber. E o Bradesco elevou a participação no Fleury por meio da unidade de seguros.

Magnatas brasileiros também aproveitam a turbulência recente para comprar ações. A família Molina, fundadora da gigante de carne Marfrig, aumentou a participação na empresa para 45%.

No entanto, embora a onda de compras seja um bom sinal de que algumas ações podem ter caído demais, a incerteza permanece – muitas das ações caíram mais desde que os compradores entraram. Além disso, grandes investidores e estrategistas, como Goldman Sachs, JPMorgan Chase e Franklin Templeton, têm recomendado aos clientes adiar a caça às pechinchas em mercados emergentes. O temor é de que o coronavírus possa devastar países como Índia e Brasil, onde só agora os casos começam a aumentar.

Florian Bartunek, veterano de renda variável na Constellation Investimentos & Participações, que tem Lemann entre os sócios minoritários, disse que sua estratégia está focada em empresas que são líderes indiscutíveis em seus setores. A Constellation comprou ações da Totvs, de acordo com documento da CVM.

“Se você deseja comprar ações de empresas exóticas apenas porque estão muito baratas, a chance de errar é maior”, disse Bartunek durante uma live realizada pelo Banco BTG Pactual na semana passada. “Eu focaria nas empresas óbvias.”

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